Seguir o blog

domingo, 22 de outubro de 2017

BULLYING MATA

Santa Luzia é a santa dos cegos, padroeira que viveu no século 3 a.C..
Santa Luzia era italiana e morreu sob tortura, depois de seus algozes a cegarem foi decapitada. Muitos anos depois a mártir virou nome de uma cidade paraibana. Essa cidade e a Santa inspiraram o músico Sivuca a compor um bonito forró.
Santa Luzia tem inspirado a muita gente. Eu mesmo compus um poema, uma prece, que a tem como personagem, ouçam:



Santa Luzia foi, portanto, vítima de violência; de uma terrível violência. Ela foi sacrificada por recusar-se a desposar o jovem prometido pela mãe.
O caso de Santa Luzia, que também é nome de uma cidade goiana no centro oeste do nosso país, fez-me lembrar a morte de dois adolescentes provocada a tiros por outro adolescente, de 14 anos, Foi quinta, 19, numa escola da rede pública. O menino simplesmente sacou um revólver e passou a mirar na cabeça dos colegas, que morreram instantaneamente. O motivo? 
O criminoso, segundo seus colegas e professores sofria de um dos males que se alastram mundo afora: bullying.
O bullying é um mal que se instala em pessoas que se sentem discriminadas por outras. 
Precisamos nos tratar bem, cada vez mais e melhor.
O corre corre e a falta de atenção e respeito aos nossos semelhantes levam, quase sempre, a tragédias como essa.
Quem é o culpado nessa história, o criminoso ou os mortos?
Desrespeitamos o próximo no dia a dia, brigamso no dia a dia, xingamos todo mundo no dia a dia nos esquecendo que somos pessoas e como tais frágeis. A solidariedade está se acabando, sumindo do nosso dia a dia. O Bullying, como a hipocrisia, mata!
Na verdade somos todos culpados.Somos cegos, mesmo tendo olhos na cara.

sábado, 21 de outubro de 2017

GEREBA ESTÁ EM SÃO PAULO, TOCANDO E CANTANDO.

Gereba é um dos mais importantes compositores e violonistas do Brasil, também cantor, nascido há 71 anos na Bahia. Já compôs centenas de músicas, com parceiros os mais diversos. Eu inclusive. É nosso, por exemplo Hino ao CEU, gravado por Dominguinhos. Ouça:


Com Gereba também compusemos ao lado de Klévisson Viana, Dom Quixote Xote Xote, ouça:


Gereba tem músicas gravadas com meio mundo, incluindo Cássia Eller, Elizeth Cardoso, Elba Ramalho, Fagner, Bule-bule. O escritor seu conterrâneo Jorge Amado o tinha em grande estima, até porque Gereba fez a trilha sonora de uma das obras do Jorge, Quincas Berro d'Água. Luiz Gonzaga também gostava muito dele.
Há uns 20 anos, copiei numa fita cassete valsas e chorinhos do rei do baião. Essa seleção musical entreguei a Gereba, que reuniu um time de amigos supimpas para letrar esses choros etc. O disco, com essas músicas foi à praça há uns 3 ou 4 anos. Uma beleza!
Não faz muito tempo Gereba interpretou Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, para um público estimado em 100.000 pessoas na Praça Castro Alves, na capital baiana. Antes interpretara a toada Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, num comício a favor do mineiro Tancredo Neves.
Gereba acaba de chegar à capital paulista, para uma série de apresentações. Seu projeto de ir aonde o povo está, Cantiga de Boteco está circulando por todo o Brasil com grande sucesso.


CEGO TAMBÉM É GENTE

Os brasileiros que escolhemos para nos governar, são, quase sempre, brasileiros esquisitos.
O presidente que estreiou a primeira fase da República, Deodoro, chegou lá através de um golpe militar e deixou , já, o Brasil à deriva. O seu sucessor, o vice também militar Floriano, era dotado de grande violência. Seu DNA. E por aí fomos nos arrastando até novo golpe.
Um dia, chegamos a 1930 e ao golpe perpetrado pelo gaúcho Getúlio.
Depois de Getúlio, outro militar enfaixou-se e nos governou até Getúlio voltar de novo. E depois dele, mais 3 senhores ocuparam a Presidência antes de Juscelino, Janio e Jango . E novo golpe! Esse alcançou a maioridade, 21 anos (1964-1985).
Esses todos nunca deram bola aos brasileiros excluídos do processo social.
E aí vieram Tancredo, que não assumiu a faixa presidencial; Itamar, Collor, FHC, e ele de novo, Lula,  Lula , Dilma, e mais um pouquinho, e esse que aí está botando os pés pelas mãos demonstrando na prática, que se astuto com o dinheiro público é um negócio da Chona.
Bem, quero dizer o seguinte: existe uma quantidade enorme de pessoas que não enxergam nem de dia nem de noite. Cega dos olhos assim como eu hoje me acho.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) há menos ou mais de 1 milhão de brasileiros nessa situação. Mais ou menos, porque ninguém do poder está nem aí para nós e os números que nos possam representar, dizendo quanto somos. Uma pena.
Tem um ditado popular segundo diz que "quem quer vai quem não quer amanda".
Daqui a pouco, cegos  se juntarão no Centro da cidade paulistana para protestar contra a indiferença de todos ou quase todos em relação a nós.
A discriminação e o preconceito são irmãos siameses, andam lado a lado, de mãos dadas. Isso precisa acabar.
Ainda segundo o IBGE, dados de 2010, há 45,3 milhões de brasileiros e brasileiras que apresentam algum tipo de deficiência física, intelectual, etc.Uma multidão, não é mesmo? Se nós todos nos juntarmos lado a lado, mão a mão, num pensamento só e força, seremos sem dúvida muito forte.
Tem um negócio chamado lei brasileira da pessoa deficiente. É uma lei bonita, em vigor desde o ano passado. Ela precisa ser praticada com rigor, até porque muitos dos seus artigos ainda são desrespeitados, não cumpridos. Quer ver? A parte referente a emprego, por exemplo,  não é devidamente observada pelos empresários. Os acessos nos são ainda muito difíceis. No tocante ao transporte público, também continua a desejar. É isso.
O encontro que reunirá deficientes visuais em Sampa, está previsto para logo mais às 9 horas, ali ao lado da nova unidade SESC , na 24 de maio, centro. Os colegas da instituição Laramara vão estar em peso, mostrando que cego também é gente.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O BRASIL E SEUS FILHOS ESQUECIDOS

Nao tem jeito, o Brasil é, mesmo,  o país dos esquecidos.
No nosso país, comumente os grandes artistas caem, ao morrerem na vala comum .O compositor, cantor e ritmista paraibano Fuba de Taperoá é mais um exemplo do que digo, infelizmente.
Fuba morreu pobre e esquecido.Morava em Guarulhos, numa casa que lhe dera o amigo sanfoneiro Dominguinhos (1941-2013).
No decorrer da carreira que abraçou,  Fuba era tão bom no que fazia quanto o conterrâneo Jackson do Pandeiro. Fisicamente parecia-se com ele. Ambos chegaram, inclusive, a trabalhar juntos. Fuba trabalhou com meio mundo: Zito Borborema, Ary Lobo, Gordurinha, Elba Ramalho, o já referido Dominguinhos e Luiz Gonzaga, o rei do baião.
Não custa lembrar que Fuba se apresentou em rádio pela primeira vez, num programa do pernambucano Rosil  Cavalcanti, em Campina Grande. Rosil teve suas músicas gravadas por muita gente. O primeiro sucesso de Jackson, o coco Sebastiana, era de  Rosil. Há dois anos Rosil foi biografado por Romulo Nóbrega. Uma baita biografia, cuja leitura  recomendo.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

FUBA DE TAPEROÁ VIROU ESTRELA

Estou triste: morreu Fuba de Taperoá.
Taperoá é uma cidade pequena territorialmente e grande na sua beleza. Fica nos Cariris velhos da Paraíba. Lá nasceu muita gente bonita como Vital Farias. E teve até quem adotasse Taperoá sem lá ter nascido, como o palhaço mestre Ariano Suassuna (1927-2014).
Eu não sei porque Fuba de Taperoá botou no seu nome artístico Fuba. Eu só sei que gostava dele para danado. Eu sei que ele gostava de mim também, chegando até a por um retrato meu no seu primeiro ou segundo CD. Assim à toa.
Juberlino Martins, de batismo, fez muita coisa bonita enquanto viveu neste mundo louco e de disputas irracionais. Morreu pobre, viúvo e carente de tudo; imperdoavelmente, também das nossas atenções.
Fuba participou de várias edições do Programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei por mais de 6 anos na Rádio Capital.
Eu gostava muito de Fuba de Taperoá e o admirava muito como cidadão e artista popular.
Fuba nasceu em 1942 e deixou pela primeira vez a sua terra em 1964. Chegou ao Rio num pau de arara carregado de sal. O Rio, ele o trocou poucos anos depois por São Paulo, onde gravou o seu primeiro dos quatro LPs, chamou-se  Lembranças de Taperoá. com produção de Dominguinhos e edição de Pedro Sertanejo. Foi, além de zabumbeiro e cantor,  um dos maiores pandeiristas do Brasil. Houve até  quem o comparasse a Jackson, sim aquele do pandeiro (1919-1982).
Não custa lembrar aos esquecidos, que Fuba de Taperoá tocou zabumba e pandeiro em shows de Zito Borborema, seu primo; Ari Lobo, Gordurinha, Dominguinhos, Elba Ramalho e todo mundo.Além de bom tocador de instrumentos diversos, Fuba também era compositor. E como compositor, teve muitas músicas gravadas, inclusive por Dominguinhos.
Meste Fuba morreu na noite de terça passada 17, na cidade paulista de Guarulhos.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

AUDÁLIO DANTAS RECEBE O PRÊMIO AVERROES

Assis, Audálio e sua companheira, Vanira (foto: Ana Maria)

Já passa de 200 milhões o número de brasileiros ocupando os mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, que é o tamanho do nosso território. E do nosso orgulho, pois o Brasil,  territorialmente falando,  se acha em 5o. lugar no ranking  dos 5 países de maior extensão territorial. Algo em torno da terça parte desse total se acha distribuída nos nove Estados nordestinos, que ocupam 1,5 milhão desse território.
O Nordeste é formado por 9 Estados, entre os quais Alagoas.
O jornalista Audálio Ferreira Dantas é alagoano, de uma cidade chamada Tanque D'Arca.
Falar de Audálio Dantas é falar do Nordeste, do Brasil, de luta, desafio, jornalismo, liberdade, carinho, respeito, solidariedade, dignidade...
Audálio trocou a sua cidade por São Paulo quando tinha 12 anos de idade, em 1944. Dez anos depois, em 1954, ele se defendia na Folha. Em 1956 foi escalado para cobrir o lançamento do livro Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967). O Rosa negou-lhe entrevista, mas o inquieto e jovem repórter Tanque D'Arquense foi em frente e findou por fazer uma belíssima reportagem que lhe rendeu o primeiro prêmio. Logo depois o jornal o enviou à cidade baiana de Paulo Afonso, para cobrir a solenidade de inauguração da Hidrelétrica que leva o nome do município referido e que, posteriormente (1955) foi tema de uma joia musical do rei do baião, Luiz Gonzaga. Esta:
Depois disso, o mundo abriu-se para Audálio Dantas.
O talento e o comportamento destemido de Audálio o fizeram uma pessoa referencial no país, com repercussão do nome até no Exterior.
São muitos os prêmios que Audálio tem recebido desde 1956. O mais recente é o Averroes.
Averroes é um prêmio criado em 2008, por iniciativa da direção do Hospital Premier, para homenagear pessoas que se destacam especialmente nas áreas de ciências, educação e artes e que têm sido pioneiros e compartilhadores em suas áreas, disseminando novos saberes. 
Além de Audálio já receberam o Averroes Leonardo Boff, José Eduardo Siqueira, Manuel Carlos Chaparro, Ecléa Bosi, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Ausonia Favorido Donato e Marco Túlio de Assis Figueiredo. 
Eu conheci Audálio Dantas logo que cheguei a São Paulo em 1976. Ele era o presidente do sindicato dos jornalistas no Estado de São Paulo. Um ano antes, o jornalista Vlado Herzog (1937-1975), fora morto pelas mãos assassinas pelos agentes da ditadura.
É de Audálio o livro mais conclusivo sobre a vida e carreira profissional de Vlado.
Aqui, agora, direi algo que nunca disse publicamente: uma  provocação que  Audálio me fez,  fez me trocar João Pessoa (PB), minha terra, por São Paulo.
No correr de minha vida profissional, tive o prazer de trabalhar lado a lado com Audálio. Foi no departamento de imprensa da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metro). Antes disso, ali pela virada deste século, estive com ele somando na produção da ocupação Cem anos de Cordel, na unidade SESC Pompéia.
Audálio é do caralho! e a ele dedico os versos, estes que acabo de fazer:

A terra de Homero
e da Mitologia
dos deuses do Olimpo
e da Democracia
acenderam em Diógenes
a luz da rebeldia

Diógenes foi um doido
diplomado em poesia
com uma lanterna acesa
em pleno meio dia
procurou mas não achou
no Poder Cidadania

Outras coisas ele achou
Mas não o que queira
um ser que fosse honesto
a verdade sem fantasia
e um cego que falasse
do valor da valentia

Valente é todo ser 
que vive de teimosia
comendo pão amassado
prá chegar no outro dia
lutando sem se cansar
prá vencer com galhardia

Diógenes combateu
com vigor a covardia
e plantou no Universo
a flor da Anarquia
e não vou falar mais dele
Adeus, até outro dia.

Leia mais sobre Audálio:


http://assisangelo.blogspot.com.br/2011/08/audalio-dantas-e-carolina-maria-de.html

https://assisangelo.blogspot.com.br/2012/07/hoje-e-dia-de-audalio-dantas-receber.html

Eu quero dizer mais uma cosinha: ao lado de um grande homem sempre estará uma grande mulher. No caso até aqui  explicitado, essa mulher é a jornalista Vanira Kunc. Viva Audálio e viva Vanira! e viva Mariana, que desde que aprendeu a falar, bem pequenininha, me chama "Sací".


DIA DA MPB

Hoje é o dia da Música Popular Brasileira. Esse dia foi criado em 2013, para homenagear a nossa música e seus artistas. Nesse dia, em 1847, nascia no Rio de Janeiro a compositora, pianista e maestrina Chiquinha Gonzaga. É de Chiquinha a primeira marchinha de carnaval, Oh Abre Alas.





domingo, 15 de outubro de 2017

CUIDADOS PALIATIVOS SÃO UM DIREITO HUMANO

Você sabe o que são cuidados paliativos?
Nós e o mundo somos finitos. Tudo nasce, tudo morre, além do verbo e da poesia.

Eu sonhei sob os lençóis
que tudo ia acabar
que tudo ia morrer
que nada ia escapar
que estrala ia cair
e o céu ia desabar

Foi um sonho terrível

que nem Dante quis sonhar:
planetas explodindo
e o cão a gargalhar
um horror dos infernos
que não quero relembrar...

Você sabe o que são cuidados paliativos? 
Em 2008, o violonista Canhoto da Paraíba, partiu para a Eternidade aos 82 anos de idade. Sofreu com um mal que instalou-se no seu corpo, condenando-o a finitude. A família também sofreu. Isso aliás, é comum. Certo? Quando um ente querido sofre e é desenganado pelos médicos, a família toda ou em parte, também adoece com as sequelas.Comum e compreensível. não é mesmo?
Canhoto da Paraíba morreu em casa, em Recife.
Em 2004, depois de 12 anos em estado vegetativo, em coma, morreu Rosinha de Valença. Ela e sua família sofreram muito. Uma de suas irmãs, morreu antes de dor e tristeza. Isso também mata, todos sabemos.
Cuidados paliativos são cuidados que pacientes em estado grave, gravíssimo, desenganados pela Medicina, recebem de profissionais especializados. As meninas Ana Maria e Lúcia Agostini, profissionais de Gerontologia, ensinam-me que "cuidados paliativos" não se refere ao tratamento da doença em si, mas aos cuidados que promovam a qualidade de vida na finitude, por meio de alívio do sofrimento humano.
Esses profissionais ainda são muito poucos no Brasil. O pioneiro no ramo, Marco Túlio Figueiredo, chegou à casa dos 80 anos e morreu em Fevereiro de 2013. O legado que deixou tem sido importantíssimo para a sociedade. E o será sempre.
A nossa sociedade está doente e abandonada pelo poder público e por nós memos, não é mesmo?
Na Inglaterra e Portugal, o poder público dá a necessária atenção e cuidados às pessoas condenadas à morte, por uma doença qualquer, ao contrário do que ocorre no Brasil.
Alguns países assumiram a Eutanásia. 
Eutanásia é uma questão delicadíssima.
Delicadíssima é questão que diz respeito ao ser humano portador de doença grave, física ou mental.
Ontem 14, eu conheci um lugar muito bonito em São Paulo, cheio de cores, flores e cheiros, harmonia, respeito e solidariedade. E dignidade também. Ser sem dignidade é não ser.
Ontem foi o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos,  comemorado sempre no segundo sábado de outubro. Esse dia existe para  lembrar das pessoas, jovens e adultos, que necessitam de cuidados paliativos especiais, de que todos nós precisamos nos conscientizar.
Cuidados paliativos são um direito humano, que deveria constar com clareza na nossa Constituição e na própria Declaração Universal de Direito Humanos, adotada pelo Organização das Nações Unidas, ONU, desde o dia 10 de dezembro de 1948, quando lá tivemos um representante, Graça Aranha.
Na Capital paulista há um hospital denominado Premier, diferente   de outros hospitais que  conhecemos. É um hospital que foge da rotina hospitalar. Esse é um hospital em que os pacientes são rigorosamente tratados como gente, como seres humanos.
Para lembrar o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, a direção do Hospital Premier promoveu um encontro que reuniu profissionais de diversas áreas da vida cotidiana. Isso ocorreu numa área que passou a chamar-se Jardim de Soraya, onde ocorreu um espetáculo musical de raríssima qualidade, que foi apresentado a um  público especialmente convidado. Houve apresentação até da bateria de uma escola de samba, com direito à mulatas sambando e tal. Foi maravilhoso. Nesse mesmo dia, o jornalista e escritor alagoano Audálio Dantas foi homenageado com o troféu Averroes, muito bonito. Mas sobre isso  falarei depois. Acompanhe-me.
As comemorações do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos contaram com a presença de grandes nomes do jornalismo brasileiro, entre os quais, Sílvia Pimentel, Rose Nogueira, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho, Elifas Andreato (foto acima), Moura Reis, Palmério Dória, Flávio Tiné, Sérgio Gomes, o Serjão; Colibri, além de Audálio e sua companheira, Vanira. Também estiveram presentes produtores musicais como Lenir Boldrim e os cordelistas Marco Haurélio e Pedro Monteiro. O editor potiguar José Xavier Cortez também esteve lá levando  o ar da sua graça. Nas fotos, abaixo, um registro parcial da beleza  que foi o encontro. Foi servida uma ótima feijoada acompanhada de uma cervejinha estupidamente gelada, foi servida aos privilegiados que lá estiveram.
No Brasil, há pelo menos 500 mil pessoas precisando de cuidados paliativos. 
No mundo, segundo a OMS, há 40 milhões de pessoas nessa mesma condição.
Não está na hora de nós entendermos melhor o que é solidariedade?












.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

NELSON RODRIGUES E OS CANALHAS DO CONGRESSO

O telefone me traz a voz de uma amiga.Voz distante.Não entendi bem, França ou Itália. É dali que a voz me vem. Noto uma certa falta de entusiasmo. Pergunto: Tudo bem? Resposta: sim, tudo bem... Pergunto de novo: Tudo bem mesmo? Sim, mas estou com dor de tristeza.
Tristeza dói e mata. Tristeza como solidão é filha abusada da depressão.
Tudo bem mesmo?
Aquilo ficou-me latejando na memória.
O pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980), tinha sete anos de idade quando a ele foi pedido um texto, uma redação. Coisa de escola. Um dos seus coleguinhas da classe escreveu qualquer coisa sobre elefante, coisas da índia, fantasias infantis baseadas no imaginário indiano. Coisas assim: redação bonita o menino fez. O contraponto dessa redação foi a redação do menino Nelson. Ele falou de um crime, de um cara que matou a mulher por ciúmes, um texto e tanto ! Muitos anos depois, Nelson disse que Nelson Rodrigues nasceu a partir daquela redação.
A vida pessoal de Nelson Rodrigues, jornalista, cronista, ator bissexto, romancista ocasional e principal dramaturgo do Brasil em todos os tempos foi uma tragédia absoluta. A tragédia pessoal foi, talvez, inspiração e ponto de partida para a fabulosa obra que nos legou.
Nelson Rodrigues foi um cara absolutamente fantástico.
Nelson foi taxado pela esquerda de reacionário, de canalha. 
Nelson jamais negou as origens e jamais renegou a obra, riquíssima, que produziu.
Nelson foi o mais importante intérprete, como criador da alma do povo simples do Brasil.
Nelson Rodrigues foi um gênio. Podíamos até compará-lo a Shakespeare, por que não?
Quando, então, a minha amiga me liga da Europa e lhe pergunto sobre se tudo está bem e ela responde que está "com dor de tristeza", é um desabafo absoluto que nos leva fácil fácil aos personagens das tragédias Nelsonrodrigueanas e Shakespearianas.
Não é difícil entender isso.
Numa das suas últimas entrevistas à tevê, o apresentador pediu que Nelson deixasse uma mensagem aos jovens. Clique:


HOMENS PEQUENOS

Fiquei cego dos olhos, mas não da mente, da memória. Para minha tristeza, ouço no JN os personagens de um ópera bufa que tem como destaque o tieteense Temer. Os advogados desse Temer e seus asseclas são uma piada sem graça e um horror absoluto. Esses advogados faturam dos seus clientes ladrões o produto do roubo extraído do Erário Público. Os irmãos Batista, aqueles, deveriam curtir a cadeia por toda a vida. O nosso código penal permite isso e outros e outros ratos engravatados, poderiam e devem ir para o mesmo lugar dos Batista. E são muitos e nem vale a pena citá-los aqui. O noticiário político é non sense puro, é Kafka às avessas (o réu aqui não sabe é porque havera de ser inocentado, simplesmente está no script), é um horror, um horror fantástico!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A BONITA VOZ DE MÁRIO DE ANDRADE


Se vocês não ouviram, ainda é hora de ouvir. Sempre é hora de ouvir o que é bom, boa voz, boa música, boas histórias.
Encantei-me com a voz do multi-tudo paulistano Mário de Andrade. Uma pérola, uma relíquia achada nos arquivos da Biblioteca do Senado norte-americano. Sempre lá! Encantei-me também com a voz da cearense Raquel de Queiroz (1910-2003).
Mário e Raquel cantam , com espontaneidade dos anjos, pequenas peças do folclore brasileiro. Coisas como Peixe Vivo, de que tanto gostava o mineiro Juscelino Kubitscheck (1902-1976), por exemplo. E cantigas de escravos e de pedintes. Tudo muito bonito.
A voz de Mário era uma voz afinada, cheia, abaritonada, que ele modulava com a categoria de um profissional do ramo. Fácil, fácil, punha no bolso muitos cantores da época. Estamos falando de 1925, 1926. A voz de Raquel não ficava atrás da voz de Mário. Aliás, os dois formariam uma dupla prá ninguém botar defeito. 
Mário de Andrade cantando é, sem dúvida, uma curiosidade e tanto. Mas uma curiosidade que certamente faria muito bem aos ouvidos de bom gosto.
Há muitas curiosidades entre os nossos intelectuais.
Machado de Assis, além do grande romancista que foi, também escreveu ótimos poemas e no Senado cobriu para jornais alguns debates acalorados entre titãs da política da sua época. Alguns dos seus poemas foram gravados. 
Poemas do baiano Castro Alves foram musicados e gravados nos primórdios do disco no Brasil. Entre os cantores que o interpretaram se acham Mário Pinheiro, o primeiro; Vicente Celestino, e tantos e tantos, até a dupla caipira formada por Tonico e Tinoco.





Euclides da Cunha, o grande Euclides, também deixou para a história poemas de sua lavra. Poemas que despertam atenção até hoje e recebem interpretações de atrizes como Marisa Orth.
Gilberto Freyre, autor da obra prima Casa Grande & Senzala, chegou até a publicar um livro de poesia, em 1962.
O paraibano de João Pessoa Ariano Suassuna chegou, mesmo, a gravar um disco só com poemas seus.





E assim segue a história...




VIVA MÁRIO DE ANDRADE!

Ele passou por duas guerras, grandes guerras. A primeira em 1914, que durou 4 anos, três meses e catorze dias e a segunda que começou dois anos depois, de o ditador gaúcho Vargas instalar o Estado Novo (1937). Pois bem, estou falando do paulistano Mário de Andrade.
Mário nasceu no dia 09 de outubro de 1893. Era de família endinheirada, como se diz. Mas depois que o pai morreu ele teve de se virar, como também se virou, no início do século passado, o potiguar Luiz da Câmara Cascudo.
Será redundância dizer, mas digo: Mário de Andrade foi um intelectual de nível tão alto quanto Cascudo.
Mário era rebelde na sua juventude. Cascudo, nem tanto. Cascudo tinha fome e sede por pesquisas. Mário também. Cascudo não tocava piano, Mário tocava e, como pianista, manteve-se depois que o pai morreu: foi professor. Isso, em 1917. Nesse ano o mundo tomou conhecimento da primeira e maior greve de operários já registada. Foi na Rússia, mas essa é outra história.
Mário de Andrade morreu em 1945, poucos meses antes de a II Grande Gerra acabar.
Mário publicou livros necessários para a Compreensão da vida cultural do país. Escreveu sobre música, dança e fez viagens importantes para fazer pesquisa sobre o folclore. Encontrou no compositor e maestro carioca Villa-Lobos, um companheiro e amigo. É de Villa a pesquisa que resultou na colheita de cantigas de roda dos fundões da Paraíba.
Mário foi macho em todos os sentidos, inclusive quando assumiu a condição de homossexual.
Em carta enviada ao poeta pernambucano Manuel Bandeira, no dia 07 de abril de 1928, ele contou das suas angústias referentes à homossexualidade. Essa carta foi censurada pelos posteriores do Mário e somente veio a público há dois anos.
Em nada mudou na vida e obra de Mário, que seus familiares impediram o tempo todo de as pessoas, todas, conhecerem.
Eu disse lá em cima, que Mário era pianista. Com diploma e tudo, e professor e tal. Pois bem,  em pouquíssimas ocasiões o nosso paulistano arriscou-se a compor. Composição famosa dele é por exemplo, Viola Quebrada, que a querida Inezita Barroso e dezenas e dezenas de outros intérpretes gravaram e com certeza continuarão a gravar.


Meu amigo, minha amiga, você conhece a voz de Mário de Andrade? Já a ouviu em algum lugar?
Antes de ouví-la, eu quero lembrar  que Mário escreveu um belíssimo poema sobre São paulo, a Capital onde nasceu. Esse poema da década de 1920 chama-se Paulicéia Desvairada. Parte desse poema foi musicado pelo piauiense, amigo querido Jorge Mello:


 E por fim, está na Biblioteca dos EUA a única gravação da voz do Mário, cantando na sua casa junto com a cearense maravilhosa Raquel de Queiroz (1910-2003). Incrível, não é? O Brasil parece não gostar de história, de acervo, de memória. Bom, ouçam Mário e Raquel:



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

CONSTITUIÇÃO DE 1988, PAZ, AMOR E GUERRA

Parece que foi ontem mas hoje faz 29 anos que a 7ª Constituição brasileira foi promulgada. 
A nossa 1ª Constituição data de 1824. A 2ª, de 1891,  a 3ª de 1934, a 4ª, de 1937, a 5ª, de 1946 e a 6ª, de 1967.
A Constituição em vigor, é a mais volumosa e a mais bonita, no conteúdo, dentre todas as outras.
É provável que a Constituição de 1988, seja também a maior e mais bonita do mundo. O mundo, este em que vivemos, é formado por 196 países. 
A Constituição brasileira de 1988 tem, na origem, 250 artigos. Desde quando foi promulgada, já foram inseridas 96 emendas (PEC, Propostas de Emenda à Constituição).
A Constituição vigente promete e garante mundos e fundos aos brasileiros: saúde, trabalho, moradia, segurança e tudo o mais para todos. A saúde está doente, morrendo na UTI; o desemprego, hoje, passa da marca dos 13.000.000 de pessoas. Uma lástima, uma tristeza imensa, um horror! O projeto Minha Casa, Minha Vida é outro horror. As denúncias de corrupção em torno desse projeto não são poucas...A cada ano, cerca de 60.000 brasileiros são assassinados pura e simplesmente, ou vítimas de latrocínio.
A Constituição de 1988 promete mundos e fundos. É uma Bíblia do otimismo. Na verdade, o que se acha nessa Carta é pura literatura, ficção mesmo. O conteúdo é utópico, sem dúvida, mesmo assim, porém, é preciso que a respeitemos.
A Constituição, a Carta das cartas, é um pacto nacional.
Sem uma Constituição é impossível paz e harmonia numa nação.
A Constituição de 1988, como as leis em geral, é violada, é violentada, é atacada, é espezinhada todos os dias, mas temos que defendê-la, a ferro e fogo se preciso.
Com a Constituição em vigor, essa de 1988, há caos em vários pontos do Brasil, sem ela seria pior.
No dia da promulgação da Constituição de 1988, eu era chefe de reportagem da Editoria de política do Jornal O Estado de S.Paulo. Meses antes, eu reunia deputados e personalidades da vida nacional para debater assuntos da Assembléia Constituinte. Num desses debates que coordenei, convidei Lula, Serra, Afif Domingos, o ministro do STF, Sepúlveda Pertence...Discutimos, discutimos e a Carta saiu finalmente no dia 5 de outubro do ano da graça de 1988. Detalhe: Todo o Congresso votou pela aprovação da Constituinte em vigor, menos Lula e mais 14 deputados que formavam a bancada do PT. Isso é História! 


domingo, 1 de outubro de 2017

O MUNDO É BOLA E VIVA A VIDA

 O mundo é uma bola, tá, sei. Todo mundo já disse isso. Aliás, a cena do Chaplin fazendo embaixada com o Globo no filme O Grande Ditador é impagável.
O mundo é uma bola girando prá lá e prá cá nos pés de quem mais pode. Como Trump, por exemplo. E aquele cara pequenininho e feio que nem a peste, da Ásia, que está fazendo ameaças absurdas contra nós, pequeninos, que corremos tontos de um lado prá outro no campo minado que é essa bola.
O mundo é uma bola e estamos fundidos...
Mais de 7 bilhões de pecinhas pequeninas que somos nós, correndo o risco de uma hora qualquer desaparecer do campo, ou seja, do mapa.
No dia a dia, hoje, nascem menos pessoas do que ontem.
O Brasil está envelhecendo. A cada dia dez mil pessoas completam 65 anos de idade. Fazendo as contas...Bom,m deixo prá vocês fazerem as contas. Eu mesmo acabo de fazer 65, mas forte como um touro e tonto ou perdido que nem cego em tiroteio.
Em 1991, a Organização das Nações Unidas, ONU, criou o Dia Internacional do Idoso. Pois é, esse dia é comemorado em 1º de Outubro. Hoje, portanto. 

Assim, quase do nada, duas dúzias de representantes de alto nível do homo sapiens bateram à com flores, beijos e abraços dirigidos à mim. Fiquei feliz, tão feliz quanto um passarinho diante de um saco de alpiste. Essas pessoas vieram me ver e parabenizar pelas seis décadas e meia de vida que acabo de contabilizar. E lá vieram José Cortez; Tony Campelo e Maíra; Luiz Wilson, Dantas do Forró, Mineiro da Sanfona, Célia e Selma, Kadu (do trio Gato com Fome), o cartunista Fausto, Cris, Lúcia, Anne, Mari, Rosângela, Lara, Ana, Clá, Dan, o Benjamin, Rê e mais e mais. Depois de comes e bebes, gostosos e fartos, aponta à porta Mestre Waldeck de Garanhuns com seu pirracento companheiro Benedito. Ambos foram a cereja do bolo (acima). O Benedito é uma figurinha à parte.
É cheio de ondas, embora não seja o mar. É cheio de graça embora de santo, ou santa, tenha nada. E foi tudo muito bonito, até porque esse monte de anos eu jamais na minha vida comemorei. Houve cantos e até declamações que arrisquei...



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES, 49 ANOS


O dia 29 de setembro de 1968 é muito importante para a história da música popular brasileira. Foi nesse dia que um coro de 20 a 30 mil pessoas acompanhou, emocionado, Geraldo Vandré cantando ao violão a música de sua autoria Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores (Caminhando). Foi no Maracanãzinho, RJ. Na ocasião estava em disputa, no III Festival Internacional da Canção, a belíssima Sabiá, de Tom e Chico, defendida por Cynara e Cybele. Sabiá ficou em primeiro lugar e Caminhando, em segundo. Os jurados foram todos xingados, pela decisão tomada. Três deles ainda estão vivos: a atriz Bibi Ferreira, o pesquisador de música popular, Ricardo Cravo Albin e o cartunista Ziraldo, também autor do troféu do festival. Além do público, quem ficou também tiririca da vida foram os militares que governavam o País. O compacto com a música Caminhando, interpretada por Vandré, foi retirada do mercado logo que chegou às lojas.  Logo depois, em Dezembro, o Rei do Baião Luiz Gonzaga gravou essa música e a lançou ao mercado. Detalhe: a censura fez vista grossa a ela. É história.  Caminhando  já foi gravada por dezenas e dezenas de artistas mundo a fora. Na Itália foi gravada por Sérgio Endrigo e orquestra. Nos Estados Unidos, Ernie Sheldon chegou a gravá-la (Listen to in the Wind) mas, sabe-se lá por que, não foi lançada ao comércio. A matriz americana se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB. No IMB também se acham a partitura dessa música (com erro, ao invés de "das" é "de"e ela vertida em castelhano Caminando pelo próprio autor, que a gravou no Chile em 1969. A TV alemã, em 1971, gravou  um especial com o polêmico artista paraibano, que completou no último dia 12, 82 anos de idade.  Uma cópia desse documentário também se acha no acervo do  IMB. Uma curiosidade: um dia Vandré me disse que gostaria  de ter enfrentado na final do  festival, o baiano Caetano Veloso, desclassificado com É Proibido Proibir.


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

BRASILEIROS ESQUECIDOS (3)

Não são dezenas, são centenas de artistas brasileiros esquecidos pelos próprios brasileiros.
O Brasil é madrasta, se me entendem.
Numa boa, Quem lembra de Manezinho Araújo? Numa boa, Quem lembra de Chico Alves? 
Numa boa, quem lembra de Luís Bonfá?
Luís Bonfá nasceu no Rio de Janeiro no dia 26 de setembro de 1923 e morreu, no Rio aos 58 anos de idade.
Luís Bonfá começou a carreira muito cedo. Nos anos 40 já tinha músicas gravadas. Em 1955, algumas das suas músicas já eram sucesso nacional, na voz de Dick Farney.  De Cigarro em Cigarro, um samba canção do Bonfá, por exemplo, fez sucesso na voz de Nora Ney. Nora foi a primeira intérprete de Rock on the Clock, em 1958. Quer dizer, o rock chegou ao Brasil, rigorosamente através da voz de uma mulher, Nora Ney. Mas essa é outra história...


Luís Bonfá morou durante anos nos EUA. Lá conheceu muitos brasileiros que já faziam sucesso, como Laurindo Almeida. Lá ele conheceu Elvis Presley, que gravou dele, em 1968, Almost in Love (clique).



Luís Bonfá era compositor de letra e melodia. É dele a belíssima e simples Manhã de Carnaval. Essa música é de 1956 e é uma das 10 mais ouvidas e gravadas em diversos idiomas até hoje, ouça:




E, claro, não dá para deixar de ouvir dele a deliciosa O Barbinha Branca, com Tom Jobim e outros craques, incluindo o próprio instrumentista Bonfá. 



Na gravação de Elvis, pode-se ouvir o violão mágico de Bonfá. Detalhe: Bonfá morreu com Alzheimer, esquecido de tudo.
Manezinho Araújo nasceu no dia 27 de setembro de 1910 e foi para a Eternidade no dia 23 de maio de 1993. Morreu dormindo. Mané ficou famoso como o Reo da Embolada.
Chico Alves, de batismo Francisco Alves, morreu no dia 27 de setembro de 1952. 
Bom, eu não sei se nasci ou se morri, mas o fato é que enquanto Chico ia morar no céu no fatídico 27 de setembro punham-me para morar no inferno, este em que vivemos.

BRINCANDO COM A HISTÓRIA (57)



domingo, 24 de setembro de 2017

BRASILEIROS ESQUECIDOS (2)

Vamos lá: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, 2 de setembro!
Foi nesse dia, 2 de setembro, que em 1917 nasceu em Miracatu, interior de São Paulo, Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto, que ficaria conhecido no mundo simplesmente como Laurindo Almeida, provavelmente o mais rápido e criativo violonista brasileiro.
Laurindo foi praticamente um artista autodidata, pois não teve formação musical formal e completa. Aprendeu a dedilhar violão pelos ensinamentos rudimentares do pai, que era ferroviário profissional e seresteiro. A mãe era pianista, do lar.
Eu já disse que o Brasil não costuma dar bola aos seus filhos, sejam eles quem forem. Artistas, então...
Não custa dizer que Laurindo Almeida deixou na História da música a marca de gênio, mesmo praticamente autodidata, ele se movimentou com muita facilidade entre o popular e o erudito. Ele mesmo definia-se como artista erudito. E não é difícil constatar isso. É da metade dos anos de 1950 o LP de dez polegadas Recital de Violão das mais Famosas Serenatas. Ouçamos:



Amigo de Carmen Miranda, Pixinguinha, Donga, Radamés, Garoto e tantos e tantos nomes de realce da vida musical brasileira, Laurindo Almeida morou na capital paulista antes de conhecer o estrelato. Ingressou, muito jovem, as fileiras do movimento Constitucionalista. Depois, no Rio de Janeiro, teve o primeiro trabalho prá valer na extinta rádio Mayrink Veiga, concorrente da toda poderosa rádio Nacional, criada pelo governo Vargas. Compositor e grande instrumentista, Laurindo e muitos outros artistas -uns quarenta mil- perdeu o emprego depois que o Marechal Dutra, sucessor de Vargas, assinou um decreto no dia 30 de abril de 1946, pondo fim a todo tipo de jogo de azar. Com o decreto, foi-se a era dos Cassinos.
Em março de 1947, Laurindo de Almeida pisou, pela primeira vez, em solo norte-americano. E lá ficou até morrer no dia 26 de julho de 1995. Ele deixou mais de uma centena de discos gravados. Fora isso, deixou mais de 800 participações em trilhas sonoras de filmes realizados na terra que adotou. Nunca ninguém produziu e arranjou tanta música prá cinema.
Laurindo Almeida teve músicas nos filmes Quo Vadis, Viva Zapata e Spartacus e também para muitos seriados para a tevê, como Bonanza e o Fugitivo. Ele foi o único brasileiro a ser indicado ao Grammy 16 vezes e ganhar cinco. Além disso foi, também o único brasileiro a ser agraciado com o Oscar, o maior prêmio do cinema norte-americano. E como se não bastasse, trabalhou com todos os grandes nomes da música internacional, incluindo Igor Stravinsky. E pouca gente sabe: foi ele quem levou para os EUA nomes até então por lá desconhecidos, como Villa-Lobos, Radamés Gnatalli e Luiz Gonzaga, que gravou em 1951. E também a Bossa Nova, aliás ele é um dos pais da Bossa Nova. Os primeiros desenhos da Bossa Nova saíram dos dedos dele, ao juntar o jazz com o samba...O João Gilberto e os outros, como Tom e Vinícius nunca falaram disso, por que, hein?
Enquanto isso, o Brasil dava-lhe as costas. Isso o entristecia muito. Mas o que fazer?

Tínhamos tudo para comemorar o centenário de nascimento de Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto.
O acervo de Laurindo Almeida era um acervo riquíssimo. Esse acervo hoje se acha na Biblioteca do Senado Americano.

sábado, 23 de setembro de 2017

BRASILEIROS ESQUECIDOS

A casa dos Reis era só festa no dia 23 de setembro de 1916. O motivo era o nascimento de um rebento que ganharia na pia batismal o nome de Dilermando que o tempo tornaria num dos mais importantes violonistas do Brasil.
Dilermando nasceu em Guaratinguetá, interior de São Paulo.
Com 15 anos de idade, Dilermando já era o mais importante violonista da sua cidade. Foi morar no Rio de janeiro muito cedo e muito cedo começou a manter contato com professores e artistas. De repente viu-se acompanhando calouros num programa da extinta rádio Guanabara. Em 1944 gravou o primeiro disco (78 Rpm) com a valsa Noite de Lua e o choro Magoado, ambas composições de sua autoria e lançadas pela etiqueta Continental, que há muito não existe mais.
Dilermando Reis gravou 38 discos de 78 Rpm e umas duas dezenas de LPs. 
O Brasil legou à História outros grandes violonistas, como Rafael Rabelo e Paulinho Nogueira. O Brasil os legou , o Brasil os esqueceu.
Que país, hein?!



Ah, Dilermando Reis morreu no dia 02 de janeiro de 1977, portanto há 40 anos.

EM BUSCA DE SAÚDE

O ideal num país é que houvesse uma academia de ginástica em cada esquina, mas o ideal quando não é projeto é sonho. E nós, brasileiros, ficamos muito aquém do ideal em tudo ou quase tudo necessário para o bom viver. Mas eu sou um privilegiado. Aqui mesmo perto de casa tem uma academia e professores que me fazem muito bem. Chama-se Cia Life, e os professores, Anderson Gonzaga e Beto Jr.
Comecei a fazer treinos em academia no mês da libertação dos escravos, Maio. Sinto-me um cara livre, liberto de muitas coisas. Não pretendo ficar marombado, fortão, saradão, o que pretendo é revigorar-me fisicamente e mentalmente como cidadão.
Ando em busca de saúde. Sempre andei, mas hoje mais ainda. Com a idade chegando, temos que nos cuidar.
As coisas boas que faço, ou acho que faço, gostaria de compartilhar com os amigos. E aí está. E conclamo a todos bater pernas, braços e mente em academia de ginástica. Faz um bem danado. Na foto aí, o papai e o professor Anderson. O clique acima é do Beto.

JOSÉ CORTEZ

Meu amigo Cortez, criador da editora que leva o seu nome, topou o desafio e entrou no embalo. Está se sentindo como, digamos, um cara de meia idade. Ele treina numa academia quase pegada à sua editora, ali no paulistano bairro de Perdizes. Garante que já perdeu uns 3 Kg e tá que tá. No próximo dia 18 de novembro, José Cortez completa 81 anos de idade. E viva Cortez. Ah! Em breve publicarei aqui uma foto do jovem em atividade física na sua academia, fica a promessa.


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

No mundo todo, segundo a Organização Mundial de Saúde, a OMS, há mais de um bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência, seja física ou visual....
No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, há 45,6 milhões de pessoas portando algum tipo de deficiência, seja física, visual, mental... Desse total, 18,8 % são de deficientes visuais. São Paulo e Bahia são os Estados que reúnem a  maior parte dessas pessoas. 
Amanhã, 21, é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência... Esse dia foi criado em 1985 e tem por finalidade chamar a atenção de todo o mundo, inclusive das chamadas "autoridades competentes"...
A cada cinco segundos uma pessoa fica cega no mundo. No Brasil eu não sei não. No Brasil é tudo complicado, especialmente no tocante à questão de saúde.
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência... tem programação específica amanhã. Em São Paulo, Capital, há uma agenda própria na Estação Tatuapé do metrô.
Quarenta e seis, seis milhões de pessoas é, como se vê, um número extraordinário. Se as pessoas portadoras de deficiência soubessem a força que têm o Brasil já poderia ser outro. Mas o Brasil é, ainda, um país em desenvolvimento e cheio de analfabetos de todos os tipos: de analfabetos políticos, inclusive.
Amanhã será outro dia.




BRINCANDO COM A HISTÓRIA (56)



WALDIR AZEVEDO, O MÁGICO DO CAVAQUINHO

Waldir Azevedo foi o mais importante tocador de cavaquinho do Brasil e do mundo. Não é demais dizer que ele reinventou esse instrumento criado, provavelmente em Portugal. Ninguém jamais tocou cavaquinho como Waldir. Antes dele o cavaquinho era simplesmente um cavaquinho. Pequeno em todos os sentidos.
Foi no bairro da piedade, no Rio, que nasceu Waldir. 
Waldir era prá ser aviador, mas o seu coração, sempre apressado, cortou as asas do seu sonho. Ele tinha apenas dez anos de idade quando se apresentou, pela primeira vez, em praça pública. Foi em 1933 e o seu instrumento era então, uma flautinha doce. Primeira música tocada?  Trem Blindado, de João de Barro, o Braguinha (1907-2006). Essa música foi inspirada na revolução constitucionalista (1932). A flauta ele a trocou por um bandolim, que foi trocado pelo cavaquinho. Suas duas primeiras músicas gravadas: Brasileirinho e Carioquinha, em 1949, logo transformadas em clássicos.



Waldir Azevedo deixou gravadas quase duas centenas de músicas, desde choros a frevos, pouco menos da metade de sua autoria. Isso, em menos de trinta anos de carreira. Em 1972, ele teve decepado, por uma máquina de cortar grama, o dedo anular esquerdo, e o milagre, como ele costumava dizer, fê-lo voltar a tocar o instrumento que magicamente recriou. O fato inspirou-o a compor o choro Minhas Mãos, Meu Cavaquinho.
Waldir Azevedo morreu na madrugada de 20 de setembro de 1980.
Eu o conheci uns cinco anos antes de morrer e guardo, até hoje, uma belíssima entrevista que fiz com ele. Foi no bairro paulistano do Bixiga. Nessa entrevista ele lembra a sua trajetória e diz como gostaria de morrer: amando uma mulher.






domingo, 17 de setembro de 2017

FILOSOFIA POPULAR É SUCESSO PELA CORTEZ



Ao correr da leitura do novo livro de Mario Sérgio Cortella, Vamos Pensar Um Pouco?, ia a me lembrar das tantas falas que tive com Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).Com o mestre Cascudo, aprendi a ouvir melhor o que o povo sempre tem a dizer.
Pois bem a leitura do novo livro de Cortella, ilustrado pelo craque Maurício de Sousa, trás um bom punhado de ditos populares. Esses ditos refletem a sabedoria dos anônimos.
Luís da Câmara Cascudo foi o mais dedicado estudioso da cultura popular brasileira. A sua obra, extensa e rica, traça com clareza a beleza que é a cultura popular. Cortella, ciente disso, mergulhou sem preconceito no assunto, no tema, nesse verdadeiro mar de preciosidades do povo. O resultado disso é o livro já citado, que desde o começo deste mês, já caiu nas mãos de pelo menos 20 mil brasileiros. É um sucesso sem dúvida. É um sucesso popular resultante do trabalho e sensibilidade do grande filósofo que é Mário Sérgio Cortella
http://assisangelo.blogspot.com.br/2017/02/viva-mario-sergio-cortella.html. Vale a pena lê lo, e depressa.Aliás é motivo de alegria saber que um livro reunindo saberes do povo já teve esgotado várias edições em menos de 1 mês. É muita coisa num país de analfabetos, de poucos leitores. A média de uma edição de livros no Brasil é de 3 mil exemplares e são poucos os títulos que se esgotam no correr de 12 meses.
Vamos pensar um pouco? (Cortez Editora, 80 págs.), será lançado amanhã na PUC,  na capital paulista.






sábado, 16 de setembro de 2017

E DEPOIS DO HOMO SAPIENS, O QUE VIRÁ?

Ao descer das árvores e caminhar mais ou menos ereto, e ainda indefinido, o homem passou logo a inventar meios para matar em nome da própria sobrevivência. É isso o que concluem os estudiosos da matéria. A pedra, o pau e o cipó inspiraram aquele que ia virar gente a fazer sua primeira arma, uma espécie de machadinha. daí para o arco e flecha, passaram-se mais alguns anos, milhares, milhões, quem sabe e surgiram o arco, a flecha e tudo mais, e hoje temos os que temos...
Da machadinha à bomba atômica, foi um passo, melhor, milhões e bilhões de passos, trilhões, quem sabe?
Os pré-históricos, ao descerem das árvores, comiam o que encontravam pela frente. Fosse o que fosse, inclusive seres diversos encontrados mortos por razões quaisquer. E foi quando, certamente, os nossos antepassados, já se parecendo conosco, passaram a caçar, a pescar, a se juntar em grupos. O frio eles resolviam com a pele de animais que matavam e cuja carne comiam. A primeira guerra, o primeiro confronto armado, debitado ao homo sapiens, ocorreu há uns cinco mil anos a.C., na Alemanha. Os indícios levam a crer que desse confronto participaram pelo menos quatro mil homens. Deduz-se que foi um verdadeiro massacre, como os que ainda hoje ocorrem nos quatro cantos do mundo.
O homem está se matando o tempo todo e cada vez mais. Agora mesmo, o ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-un, está mais do que ameaçando o Japão e os EUA, com suas bombinhas de Nitrogênio e sabe-se lá mais o quê. A coisa tá feia.



A propósito, acabo de ouvir o audiolivro Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, obra do brilhante português José Saramago (1922-2010). Nesse livro que ele não concluiu, é abordada a questão das guerras desde o Neolítico, ou a Era do Metal.
O saque de Saramago foi genial. Ele, em leituras esparsas, questionou-se sobre a produção de armamentos que alimentam guerras em todo o planeta. Quem fabrica esses armamentos? Ele se perguntava, e por quê nunca há greves de funcionários que fabricam esses armamentos, era outra pergunta que ele se fazia o tempo todo. E foi quando, em 2009 ele iniciou aquele que seria o seu último trabalho literário.
O enredo de Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas gira em torno de um cidadão, Paz Semedo, funcionário antigo de uma empresa fabricante de armas, separado da mulher Felícia, uma pacifista renitente. É visível o conflito entre os dois. Saramago deixou apenas 3 capítulos escritos, mas são capítulos que mostram com clareza, o enredo imaginado, e iniciado portanto, pelo grande português autor de O Ano da Morte de Ricardo Reis e Ensaio Sobre a Cegueira.
Até o final do livro ele se imaginou, com a personagem Felícia, dando um Vá à Merda, dirigido a Paz (Sem Medo). Esse mundinho de berda vai um dia aos ares, numa explosão colossal. E o homo sapiens, vai virar o quê, Hein?


BRINCANDO COM A HISTÓRIA (55)






sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O SUICÍDIO DO HOMO SAPIENS




Uma desumanidade, é a palavra exata para definir o que ora ocorre no mundo. No Iemen, um inferno negro  localizado na Península Arábica, o diabo alojou-se na forma de fome. São cerca de 250 milhões de almas penitentes, pagando pecados que não cometeram. A maioria dessas almas, vítima da gula capitalista, é constituída por crianças.
A fome e a injustiça se alastram que nem praga, rapidamente, que nem um pavio aceso correndo célere em direção a bombas.
Os jornais do mundo livre estão noticiando essa praga, esse desmazelo, esse horror,  esse fim do mundo.
Entre quatro e sete milhões de anos atrás, o nosso planetinha de berda começou a gerar a vida que em nós resultou.
Os hominídeos surgiram num tempo remoto, difícil, até hoje, de localizar com exatidão. Primeiro eles resultaram nos anglo australopithecus.
Australopithecus palavra de origem latina e grega, criada para identificar gorilas, orangotangos, chipanzés, primatas de quem certamente viemos.
Os australopithecus podem ter alguma coisa a ver com o gênero  homo. O homo erectus, por exemplo, que o tempo trouxe até nós, homo sapiens.
Em tempo mais recente, mas sempre a.C., houve o período que os naturalistas e outros estudiosos da vida, chamam de paleolítico.
O paleolítico é por volta de 3 milhões de anos.
O paleolítico é também chamado da Era da pedra lascada, que foi a Era em que os primeiros homens, começaram a ganhar forma de gente, mesmo. Isso não está na Bíblia. Foi a Era em que os tais começaram a construir instrumentos de caça e pesca, por exemplo, e acenderam o fogo. Foi a Era em que esses tais se deram conta da diferença entre eles e um sapo, uma cobra, um cavalo, uma besta qualquer.
Depois do paleolítico, veio o tempo do neolítico. Esse tempo é tambem conhecido , como o tempo em que nós, do passado, descobrimos o metal e otras cositas mas. E aí vieram as guerras, chacinas, loucuras absolutas.
Naquele tempo de milhões e milhões de anos, ou bilhões, os bichos se viravam como podiam. Andavam sós, segundo os estudiosos, mas descobriram logo que em bandos ou grupos, eram mais fortes e ser forte sempre foi sinônimo de categoria e solidariedade, de respeito mútuo, ao próximo.
O próximo sempre fomos nós, mas estamos perdendo essa compreensão, esse entendimento. E ao perdermos isso, nos perdemos.
O mundo está se acabando por falta de tudo: de compreensão, entendimento, solidariedade, respeito, a fome é consequência disso tudo, dessas desgraças, do individualismo, da hipocrisia, de tudo que não presta. O poder transforma o homem e quase sempre prá pior.
O continente africano foi riquíssimo. O seu subsolo sempre foi rico em tudo quanto se possa pensar, em ouro, pérolas etc.
Foi na Africa que surgiu o mais importante dos australopithecus. Quer dizer: foi na África foi que surgiu o homem tal como é hoje.  
Estamos nos acabando a partir do berço onde nascemos.
Há uns meses o grande cartunista Fausto iniciou uma série, neste blog, a que intitulamos de Pré-história. Nessa série Fausto conta com graça, mas sem rigor histórico, a origem do homo sapiens.Isso vai virar livro.
Não faz tempo, a cientista social diletante Dilma Roussef descobriu e anunciou ao mundo, para surpresa geral, a mulher sapiens. Clique:



BRINCANDO COM A HISTÓRIA (54)






quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ACERVOS, SEBOS, LIMBO E LIXO


O que é que tem haver Jorge Lobo Zagallo com Ignez Magdalena Aranha de Lima? No rigor, nada. Em linha aberta, tudo.
Zagallo ganhou tudo que um craque de futebol poderia ganhar.
Ignez, também. Só que com outro nome: Inezita Barroso.
Portanto, em linha gerais, Zagallo e Inezita têm tudo em comum: foram dois craques, um do futebol e o outro, no caso outra, da música. E como uma coisa puxa outra ...
Lembrei-me de Inezita ao ouvir, há pouco ela cantando o samba canção Ronda, de Paulo Vanzolini (1924 – 2013)
, que a levou pela primeira vez às paradas de sucesso. Isso, em novembro de 1953. Eu tinha um ano e dois meses de idade.
Eu conheci de perto Inezita Barroso (1925-2015). Conversávamos muito, eu com ela lá em casa e ela comigo na casa dela. Entre um uísque e outro, muitas histórias...
Quando decidi contar a sua história no livro A menina Inezita Barroso (Cortez editora, 2011), fiquei sabendo por ela mesma da primeira decepção que teve na vida. Ela era muito jovem, contou-me. E recém casada, pegou um jipe e foi Brasil a fora conhecer o Brasil nas suas minúcias, nos seus detalhes, nas suas contradições, belezas e encantos. Meses depois, e depois de cantar pela primeira vez num teatro, em Recife, voltou à Capital Paulista e apresentou para seus diretores da Rádio Record o resultado de suas andanças pelo nordeste, especialmente. Eram muitas anotações.
“Sabe o que eles me disseram sobre essas pesquisas?”, perguntou-me e antes que eu respondesse qualquer coisa, ela emendou: “Nada, não disseram nada, não deram importância nenhuma e eu achei aquilo um horror, um descaso enorme. Fiquei triste e voltei para casa chorando”.
E sabe o q eu foi que Inezita fez, meu amigo minha amiga? Ela chegou em casa ainda triste chorando muito, sentou-se diante da lareira, ascendeu a lareira e jogou tudo lá dentro.
A história da cultura popular brasileira é, em geral, uma história triste, cheia de tristezas, cheia de decepções. Isso desde sempre. E isso poderia ter acontecido com as pesquisas do herói paulistano, como Inezita, Mário de Andrade (1893-1945). As pesquisas do Mário têm importância até hoje, como importância têm as pesquisas que o carioca Heitor Villa Lobos (1987-1959) fez com relação às cantigas infantis que ele colheu no nordeste, especialmente na Paraíba.
Os pesquisadores, os historiadores que se embrenham no mundo da cultura popular, no Brasil, estão sumindo e sendo substituídos pelo irresponsável Dr. Google.
Muitos acervos têm se perdido nos sebos da vida, ao longo da história. Alguns, muito poucos, têm como destino espaços que empresas da iniciativa privada abrem; outros, bem...
O que será do acervo do Instituto Memória Brasil hein?
O instituto Memória Brasil, IMB, já tem mais de quarenta anos de história. No seu acervo há pelo menos 150 mil itens, incluindo discos de todos os formatos e gêneros etc. etc. etc.
Eu, que o construí, entrevistei milhares de artistas de todos os campos da vida cultural do Brasil. Há muita coisa inédita nesse acervo, incluindo inéditos de Paulo Vanzolini, da própria Inezita, muita coisa, muitas entrevistas com Waldir Azevedo (1923-1980) etc.
Pergunto o óbvio, mas sou mesmo de perguntar: Para onde vão os acervos da cultura brasileira?
 Para lembrar Inezita CLIQUE: 




POSTAGENS MAIS VISTAS