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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A REPÚBLICA E A BESTA TEMER

Temer, presidente ocasional, foi ao vizinho município da Capital Paulista, Itu, para dizer que o povo brasileiro é, digamos assim petulante. Só faltou dizer que o golpe de 64 existiu porque o brasileiro é autoritário. Sim, foi isso que ele falou, o brasileiro é autoritário.
Temer é uma besta, eleito na mesma chapa de uma mulher que se perdeu na vida, Dilma, Pena. 
Temer transferiu a presidência hoje pára Itu porque, segundo ele, Itu é o berço da República.
Temer é uma besta. Uma besta analfabeta. E todos nós que tivemos Dilma como presidente, nós todos, brasileiros, somos culpados, pois ela entrou nessa de presidente porque o povo elegeu Dilma.
A república brasileira começou cm o Golpe Militar. Esse golpe, de verdade, concretizou-se no dia 15 de novembro de 1889. Foi no Rio. E o primeiro cara presidente foi o alagoano Deodoro.
Temer foi a Itu para reforçar o mito de que o assunto República no Brasil começou a ser ventilado em Itu...
Foi na cidade paulista de Itu, no dia 28 de abril de 1873, que um grupo de cento e poucos maiorais realizou, digamos, um encontro convencional para discutir ops rumos do Império.
Bem, no dia 03 de dezembro de 1870, Quintino Bocaiúva reuniu intelectuais ricos, ricaços e rincões do País pára redigir e anunciar em público uma carta, digamos assim, com as bases do que seria a República proclamada pelo alagoano Deodoro.
Pois é, o berço da república não é Itu, e o Rio de Janeiro, o local do Golpe que elevou à autoridade máxima o alagoano Deodoro da Fonseca.
O militar Deodoro foi usado por militares e Temer é uma besta. E eu digo isso porque simplesmente ele desconhece a história do Brasil... Caraca!
Em 1967, acho, Inezita Barroso (1925-2015) gravou um LP incrível, maravilhosos, desconhecido certamente por todo mundo hoje. Esse disco, lançado pela extinta gravadora Copacabana, intitulou-se A |Moça e a Banda. Nesse disco, ela canta, acompanhada pela Banda da Polícia Militar de São Paulo, o Hino da Proclamação da República. Ouça:





segunda-feira, 13 de novembro de 2017

MACHADO E A VIUVINHA

Machado de Assis  é um dos nomes mais fortes da literatura brasileira. Ele nasceu no século 19, e foi se embora no século 20,(1908) no Rio de Janeiro. Foi até jornalista e cobriu com eficiência muitos debates no Senado. Deixou textos vibrantes, bonitos, bem feitos e falou sobre muitos assuntos, inclusive sobre escravos e abolição. Casou com uma portuguesa e foi feliz, certamente. A sua obra literária é extensa.
O primeiro livro de Machado de Assis recebeu o título de Cinco Minutos. Ops! Esse livro é o primeiro de José de Alencar. Trata da história de um jovem que se apaixona perdidamente por uma adolescente. É uma história muito bonita com final feliz. Final feliz também tem o seu segundo romance, A Viuvinha. Epa! Esse é o segundo livro de Alencar. Conta a história de uma jovem que vivia com a mãe. A jovem chama-se Carolina, e a mãe, Maria.
Jorge é o jovem protagonista que morre de paixão por Carolina. Só que o Jorge era, digamos, um porra-louca. Não era de trabalhar, de bater ponto, como os jovens do mundo todo fazem. Ele herdou do pai uma boa bolada, e essa bolada ele passou a torrar nos cabarés do seu tempo, ou do tempo em que o autor carioca o situou. Em três anos Jorge torra tudo e fica pobre, pobre de marré, marré. Encurtando a história: mesmo falido, sem um puto no bolso, Jorge se casa com Carolina, mas não vai às vias de fato na noite de núpcias. E com dor de corno pensa em se matar com um tiro no coco, mas é impedido por seu tutor o Sr. Almeida que o convence a mudar-se para os Estados Unidos de onde anos depois volta com os bolsos cheios de grana, e mais não vou contar, Leiam o livro e saibam por que  Carolina é chamada de Viuvinha.
Carolina, por um desses momentos inexplicáveis da vida real e ficcional, era como se chamava a mulher do fluminense Machado de Assis.
Os grandes autores sempre passearam por gêneros diversos. Caso do próprio Machado, José de Alencar e Augusto dos Anjos.
Machado de Assis foi, além de romancista, um poeta que encontrou no romantismo um bom caminho. 
O primeiro poeta romântico, assim dito com todas as letras foi Domingos José de Magalhães (1811-1882). Ele era de Niterói. Deixou uma expressiva obra, e como Machado foi também jornalista e mais do que Machado foi advogado, político e barão. Seu livro, marco do romantismo nacional intitulou-se Suspiros Poéticos e Saudades. O Machado de Assis foi de fato, um cara que deixou uma marca profunda na vida intelectual brasileira. Vocês conhecem o Teatro do Machado, vocês conhecem a poesia do Machado, vocês conhecem as crônicas do Machado publicadas nos Jornais do Rio de Janeiro. Pois é, Machado foi do nome Machado, na verdade Machado, esse Machado foi uma bomba atômica da pena e do pensamento da vida brasileira do século 19. O último livro dele, Memorial de Aires, registra de modo ficcional a Abolição dos Escravos. Voltarei a falar desse livro.


CABEDAL QUARTETO




Criado há cerca de um ano por Bráu Mendonça e Galba, o Cabedal Quarteto tem dado o que falar por onde anda, nas curtas temporadas que tem feito São Paulo afora. O falatório é dos melhores. O grupo é formado por  Bráu, violão; João Antonio Galba, violino, rabeca e outros instrumentos; Gilson Bizerra da Silva no baixo e Leandro Martins na percussão. Amanhã, 14, a partir das 20:30 hs o grupo estará exibindo seu repertório formado por pérolas da MPB e autorais, como Feira Livre do Bráu no vídeo acima, lá no Dois Santo Bar, (Rua São Vicente, 157, Bixiga) Se eu fosse você reservaria já um lugar, pelo telefone 31151903.

domingo, 12 de novembro de 2017


VIVA AUGUSTO, O POETA DA VIDA!


O que se ouve e se vê no rádio e na televisão hoje no Brasil é notícia que não presta sobre crimes de todos o tipos, de corrupção a homicídios.
Segundo as estatísticas, cerca de 60 mil pessoas são assassinadas anualmente no Brasil e outras 60 mil são vítimas das ruas, avenidas e estradas, de motoristas loucos, irresponsáveis, que não dão bola à vida alheia e nem à própria. E matam por matar.
As delegacias de polícia e presídios do País estão abarrotadas de culpados e inocentes. Cerca de 50% das pessoas que estão presas, sem acusação formal, estão enquadradas no item penal que fala de "preventiva".
A maioria ou boa parte dos que estão presos é, na linguagem chula, "pé de chinelo". 
Esse panorama, de presos pobres, está mudando desde três anos atrás, quando se iniciou a operação Lava-jato.
Nunca como nos dias atuais tantos figurões de colarinhos brancos foram pegos com mãos na botija. Gente de cabedal, importante, que olha o povo de cima pra baixo, com o nariz arrebitado. Ê, lelê!
Pôxa, mas não era sobre isso que eu ia falar aqui. 
Bem, eu queria começar este texto dizendo que chega a ser triste o fato de ninguém noticiar o aniversário de morte do poeta simbolista-parnasiano Augusto dos Anjos.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos partiu para a Eternidade no dia 12 de novembro de 1914, dois anos depois de publicar Eu, seu único livro, de modo independente, com produção e impressão pagas com dinheiro que um irmão lhe emprestou.
Meu amigo, minha amiga, você sabe o que há em comum entre Augusto dos Anjos, paraibano, e o piauiense Firmino Teixeira do Amaral, além de poetas? 
Augusto e Firmino morreram com 30 de anos de idade. Mais jovem e tão importante quanto os dois, só o sambista carioca Noel Medeiros Rosa, que morreu com 26 anos, 4 meses, 3 semanas e 2 dias.
Noel Rosa ficou conhecido como o Poeta da Vila e deixou obras como Palpite Infeliz, lançada por sua grande intérprete, Aracy de Almeida:



Poeticamente, poderíamos classificar o já classificável Augusto como um poeta parnasiano, mas na sua obra também dá pra perceber com clareza traços fortes do Simbolismo. E uma coisa curiosíssima: Augusto também tem a ver com Romantismo, sim senhor!
Domingos José Gonçalves de Guimarães (1811 - 1877) é considerado o inaugurador da poesia romântica no Brasil.
Em 1836 Guimarães publicou Suspiros Poéticos e Saudades. Esse livro é considerado o marco da poesia romântica. É muito bonito. E ali entre as páginas 34, 40, 50, tem Augusto dos Anjos puro.
O primeiro poema de Augusto dos Anjos foi Saudade, que escreveu em 1900.
Entre os tantos belos poemas de Augusto, há Versos Íntimos. Nesse poema ele fala algo sobre homens e feras e da necessidade do homem também ser fera. Confiram:

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca que te beija!


E beleza por beleza ouçam essa menina, cuja idade não sei, mas dá um tom muito especial ao poema acima:


Eu tinha ali uns treze, quinze anos de idade quando, na escola, alguém me disse que Augusto lecionara no Liceu Paraibano. Pois é, eu estudei lá. E aí, não sei porquê, o nome Augusto ficou na minha mente e não demorou muito o achei numa livraria, num sebo talvez. Fiquei doido ao ler Eu. Depois disso, bons anos depois, descobri Schopenhauer, Nietzsche, por indicação de um amigo querido que não sei por onde anda: Gemy Cândido, autor de um dos mais completos estudos sobre o nosso poeta. Esse estudo, Fortuna Crítica de Augusto dos Anjos (1981), resultado de uma enorme pesquisa.
Viva Augusto dos Anjos!
Ah! Augusto dos Anjos casou, teve um filho morto e entrou para a história da crítica como o Poeta da Morte. É isso.









WAACK E RACISMO

O preconceito, a discriminação e o racismo andam lado a lado, juntos como irmãos siameses. São terríveis. 
No começo, bem no começo, o Brasil era habitado por índios que falavam inúmeras línguas, sendo a mais conhecida, o Tupi. E aí vieram os portugueses e outros povos de terras distantes... que acabaram com os índios e suas línguas, escravizando-os. Corria o ano de 1500 quando Cabral aportou na Costa baiana.
Entre 1539 e 1542 começaram a desembarcar em Salvador, Recife e São Luís, os primeiros negros caçados a laço na África. 
Conta a história que 5,2 milhões de africanos foram obrigados a trabalhar no Brasil até o advento da abolição, em 1888.
Europeus, negros e índios se misturaram, resultando no que somos hoje: uma população fortemente miscigenada, cantada em verso e prosa.
Depois da escravidão negra veio a escravidão branca, geral, praticada ainda hoje sob a batuta do capitalismo selvagem.
É comum a imprensa noticiar casos de exploração humana, no Brasil e em boa parte do mundo.
Pois bem, a Imprensa e redes sociais têm noticiado rumoroso caso envolvendo o apresentador de tevê William Waack. "Isso é coisa de preto", ele teria dito ao ser incomodado por um buzinaço ocorrido diante da sede do governo norte-americano, há um ano. Esse comentário, gravado por um ex-funcionário da Globo, foi tornado público na madrugada do último dia 8.
Se Waack disse o que dizem ter dito, é lamentável.
A escravidão é uma coisa horrorosa, independentemente da cor da pele. E muito já se falou sobre isso e certamente muito ainda se falará.
O preconceito, a discriminação e o racismo são males que devem ser combatidos por todo mundo, em todo canto e em todos os tempos. No Brasil é crime que dá cadeia.
Será que a Globo afastou Waack para provocar polêmica e aumentar a atenção dos telespectadores para a nova novela das nove, O Outro Lado do Paraíso? Aliás, nesse folhetim global há uma personagem que fica doida da vida ao saber que seu filho está apaixonado por uma empregada doméstica negra -"Eu não vou ter um neto preto", declara . A personagem não se diz preconceituosa, diz querer apenas o melhor para o filho. 
A Globo já enfocou várias vezes o racismo em suas novelas. Quem não lembra da Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães?
O tema também foi muitas vezes abordado pelos compositores de música popular. Quem não lembra de Nega do Cabelo Duro, de Lamartine Babo?
Outros títulos da MPB que foram lançados há quase cem anos pela indústria fonográfica: Pai João de Almirante e Luiz Peixoto; Abolição de Wilson Batista e Orestes Barbosa, Geme Negro de Synval Silva e Ataulpho Alves; Olha o Jeito desse Negro, de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy e Terra Seca, samba de Ary Barroso (ouça abaixo com Ângela Maria), entre outras.



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

ESTADO NOVO NUNCA MAIS!

O dia de hoje, 10 de Novembro, marca a instalação do famigerado sistema de governo que ficou conhecido como Estado Novo.
O gaúcho Getúlio Vargas (1882.-1954), começou a habitar o mundo da história logo após aplicar um golpe que o levou ao poder em 1930. Depois anos depois, ele botou para quebrar em São Paulo e noutros pontos do país.
A Constituição de Vargas foi uma dolorosa piada, e também um golpe, que fez o povo brasileiro sofrer profundamente.
Com o advento do Estado Novo, as liberdades no Brasil foram suspensas. O Congresso foi fechado etc. Em contraponto, os trabalhadores passaram a ter benefícios. Pois é.
Nesse mesmo ano de 1937, portanto há oito décadas, o Brasil começava a respirar ares sufocantes.
O Estado durou até 1945.
A Segunda Guerra Mundial começou com a invasão da Polônia pelas tropas de Hitler em 1939. Por esse mesmo tempo o fascismo ganhava força com a cara feia de Mussolini.
Getúlio caiu em 1945 e voltou em 1951, para 3 anos depois dar um tiro no peito e morrer.
A ascensão de Vargas ao poder coincidiu com o reconhecimento da força do rádio e firmação do disco e do cinema nacionais.
O poeta Carlos Drummond de Andrade atuou no governo Vargas como chefe de gabinete do ministro Capanema, da Educação.
O maestro Villa-Lobos também deixou sua marca no governo Varguista. 
Foi Villa-Lobos quem levou o canto orfeônico às escola. E é dele a pesquisa que fez no interior da Paraíba que resultou num monte de cantigas populares do mundo infantil.
Getúlio Vargas, quem não sabe, entrou para a história como uma espécie de paizão dos pobres. Seus discursos, aliás, começavam sempre com um chavão: "trabalhadores do Brasil". Muitas músicas foram compostas em sua homenagem ou inspiradas nele como O Retrato do Velho, lançada pelo rei da voz Francisco Alves, ouça:


Outra músicas, muitas outras músicas foram feitas por inspiração do populista gaúcho, como O Bonde de São Januário (ouça abaixo com Cyro Monteiro e Ataulfo Alves).


Nenhum governo ditatorial é bonzinho.
Todo governo personalista é ditatorial.
Democracia é outra coisa.
Encero este texto com uma dúvida: se a democracia surgiu na Grécia antiga, por que na Grécia antiga havia escravos e por que Sócrates foi condenado à morte só pelo fato de levar jovens a pensar?

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