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domingo, 23 de julho de 2017

AMIZADE E DIREITOS AUTORAIS


Um argentino fora do eixo encheu de cartas muitas representações diplomáticas para apoiá-lo na criação do Dia Internacional do Amigo. Isso foi pouco antes de o homem pôr suas patas na Lua, no dia 20 de julho de 1969. Naquele dia, Armstrong (1930-2012) -o homem da Lua- disse que o nosso planeta era uma coisinha de nada perdida no Universo. Pois bem, o Dia Internacional do Amigo virou uma realidade, comemorada no dia em que o homem desceu da Apolo XI e foi procurar São Jorge...
Lembro disso porque acabo de receber um telefonema do dileto e querido amigo piauiense Jorge Melo, um dos mais festejados craques da nossa música popular e doutor de respeito na área de direitos autorais, no Brasil. Ele ligou para dizer que estava com saudade, e lembrou do Papete, que partiu há dois anos para a Eternidade.
Jorge Melo iniciou a carreira há cinquenta anos, gravando discos autorais e produzindo discos dos outros. O cabra é de bom cabedal: ator, cantor, compositor, instrumentista, cordelista, o escambau.
Você sabia, meu amigo, minha amiga, que Jorge recebeu há anos o desafio de pôr os pingos nos is no tocante à questão autoral dos direitos do Hino do Corinthians? 
Direitos autorais é uma questão complicada no mundo todo, especialmente no Brasil.
Eu mesmo levei peia nessa questão. Perdi por não receber o que deveria com livros e músicas. A última vez que recebi algo do ECAD não deu prá sequer fazer uma feira aqui de lado, na rua Antonio Gordo. 
Há poucos dias entrou e saiu de cartaz em São Paulo, um filme sobre nosso dileto autor pernambucano João 
Leocádio da Silva (1935-2013). Clique para ver uma das últimas entrevistas que ele me deu:


Não sei quem dirige o filme, O que me dizem é que a trilha sonora é toda recheada de músicas do João, mas seus herdeiros não receberam até agora nadica de nada e que sequer as editoras musicais foram consultadas.
Isso dá rolo. João é o autor mais frequente do repertório do Rei do baião, Luiz Gonzaga, por baixo passa de 900 o número de músicas de sua autoria, começou a gravar ali pela metade dos anos de 1950. 
São poucos os artistas que não têm o que reclamar do ECAD, entre os quais Caetano, Chico, Roberto, Milton e os sertanojos das paradas de sucesso.
Braguinha, o grande Braguinha (1907-2006), parceiro do gigante Noel Rosa, dizia que não recebia nada ou quase nada dos direitos da extensa obra que construiu. O Vandré reclama disso até hoje.

sábado, 22 de julho de 2017

NÃO HÁ FUTURO SEM PASSADO, E VIVA TINHORÃO!

Viver é bom demais, que o digam meninos como José Ramos Tinhorão. No dia 07 de fevereiro do ano que vem, Tinhorão entrará soberbamente na casa ainda pouco frequentada dos 90. E ontem, como toda sexta, ele chegou supimpa e serelepe dizendo que suspeitava estar entrando na chamada fase da velhice. "Ser velho é uma merda!"
Rimos muito.
O humor do Tinhorão é do tamanho da sua sabedoria, ou seja: enorme.
No começo deste mês, o gaúcho Paixão Côrtes inaugurou a casa dos 90. Paixão, como Tinhorão, tem muito o que falar. E já falamos, trocamos ideias, sobre vida e cultura popular. Foi no tempo em que eu apresentava um programa na Rádio Trianon, daqui de Sampa.



Inezita Barroso Adorava Paixão Côrtes e dele chegou até a gravar músicas. Mas voltemos a Tinhorão.
O Brasil deveria ou deverá tomar vergonha na cara e abrir-se em homenagens a José Ramos Tinhorão. Tinhorão merece todas as glórias, todos os louvores, por ser quem é e pela obra grandiosa que nos tem legado. Este ano ele já publicou livro novo e ano passado também. E agora mesmo está às voltas de outro, dessa vez sobre a poética licenciosa da arte e compositores brasileiros. Estamos nessa, junto com Rômulo Nóbrega, Roberto Luna, Kyldemir Dantas, Oliveira de Panelas, Téo Azevedo e outros e outros, amigos e comparsas.
Eu já disse e repito, a obra de Tinhorão que beira uns 40 livros, precisa ser adotada em todas as escolas públicas e privadas deste país varonil. Ler faz bem, tanto que Tico e Teco agradecem.
Atenção Edu Ribeiro, Barão, Audálio, Luciano Martins e Zé Hamilton Ribeiro: Preparemo-nos para uma bela entrevista sobre José Ramos Tinhorão para o portal Jornalistas&Cia. Atenção, atenção Brasil, Tinhorão está indo ocupar bela cadeira na casa de poucos, a 90.
Ah! Tinhorão foi o jornalista que criou a foto-legenda no JB, por onde se aposentou.

PRESENTE

Um país sem passado, que não respeita seu passado, que não estuda seu passado, que não prima por seu passado, não pode ter um bom futuro. Não há futuro sem passado.

O HOMEM MORRE, A ESPERANÇA NÃO!

Carroças e carroceiros, desde a Idade Média existem.
Os carroceiros são modernagem desde sempre. E importantíssimos, desde a Idade Média. 
Nesta nossa Idade, relegamos a último estágio o carroceiro. Quão idiotas somos, não é mesmo?
Carroças e carroceiros são e serão importantes o tempo todo neste mundo modernoso em que vivemos.
Um homem carroceiro morreu. Tinha 39 anos e era paulistano. 
Quantos homens paulistanos e de 39 anos há no Brasil, no mundo?
Esse homem de 39 anos, paulistano, tinha por nome Ricardo Silva Nascimento.
Ricardo, tantos Ricardos brasileiros, recebeu tiros no peito à queima roupa, sem poder defender-se.
Ricardo foi morto pela polícia.
Quantos Ricardos ainda morrerão, inocentemente, pelas balas policiais?
Ricardo foi brutalmente assassinado na quarta, 12. Pessoas se movimentaram e levaram o nome do Ricardo à consciência popular.
Uma missa foi rezada em memória de Ricardo.
Que Deus nos proteja da Polícia!




BRINCANDO COM A HISTÓRIA (38)




domingo, 16 de julho de 2017

DITOS, AS PÉROLAS DO POVO

A cultura popular e seus ditos são fantásticos, portadores de grande sabedoria, certo? 
A cultura popular está em todo o canto, como em todo o canto está o povo.
A cultura popular é resultado da vivência do povo. E isso se acha no teatro, no cinema, na música, nas artes em geral. E uma coisa puxa a outra. Por exemplo quando algo não interessa aos político, eles dizem desconhecer a causa ou a razão dos fatos. Quer ver? Lula nunca soube de nada, especialmente das acusações que lhe são feitas, é o que se lê, é o que se ouve. 
O nada saber de Lula faz-me lembrar o filósofo grego da Era Clássica, Sócrates.
Sócrates foi condenado à morte no ano 4.000 a.C., sob a acusação de corromper a juventude e negar os deuses do seu tempo. Corromper no sentido de convencimento de ideias e ideias. Sócrates, como se sabe, já nasceu avançadíssimo para o seu tempo. Tanto que ele e sua obra sobrevivem. 
Ao escolher o tipo de morte, Sócrates escolheu a cicuta. 
Além da obra, Sócrates legou à Eternidade a frase clássica: "Só sei que nada sei". Simplicidade profunda, profundíssima, não é mesmo?
Pode se dizer que Sócrates foi vítima da Justiça de seu tempo. A Justiça destes tempos acaba de condenar o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e meio de cadeia. Justiça ou injustiça?
Ao fim do laudo condenatório o juiz Sergio Mouro recorreu à sabedoria popular: "Não não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima". 
Uma coisa puxa a outra: "Aqui se faz, aqui se paga". Outra: "A Justiça tarda mas não falha". Mais uma : "Olho por olho, dente por dente". E esta, que está na boca de todo mundo: "Pau que bate em Chico bate em Francisco. E tem aquela também: "É pau que bate em doido!".
Olho por olho etc., tem origem babilônica, tá na Bíblia. Consta que foi dita muitos séculos antes de Cristo vir ao mundo. Tem pinta de vingança.
Já a Justiça tarda etc., veio do povo português, como tantas outras. 
A ideia de justiça foi amplamente exposta e discutida por Aristóteles.
Segundo a visão aristotélica, justiça é uma coisa para ser aplicada igualmente a todos. É aquela história de a Lei ser para todos. A injustiça é uma variante da justiça, que recai muitas vezes sobre a cabeço do povo que não tem grana pra pagar a advogados de elite, como esses que estão ai a defender lustrosos nomes da República. 
Uma vez questionado sobre lei, Getúlio Vargas teria dito: "A Lei? Ora a Lei!". Ele também teria dito a seguinte frase: "Para os amigos tudo, para os inimigos a Lei".
Para ilustrar, um poeminha que acabo de compor:

Diógenes foi um craque
Do escracho e do saber
E viveu por muito tempo
Tentando só entender
Por quê se rouba tanto
Desde sempre até morrer

Cego, pobre e doido
Ele partiu após dizer
Que Deus não teve culpa
De o homem escolher
O verbo Ter antes do Ser
Como via prá viver

Assim o tempo passa
Sem o homem perceber
Que entrou em parafuso
Nas entranhas do seu Ter
E é certo que nem sabe
Que perdeu-se do seu Ser.

Após elo perdido
partido, o que fazer?
Terá salvação salvação?
Ou ele irá morrer
No pó e na sujeira
Dos escombros do Poder?






BRINCANDO COM A HISTÓRIA (37)








sexta-feira, 14 de julho de 2017

FORRÓ PRÁ TODO MUNDO

Anastácia, a bam bam bam do Forró telefona toda feliz para dizer que as dores fortes que sentia nas penas sumiram, depois da intervenção cirúrgica feita há poucos dias no HC. Cirurgia simples, da vesícula. Agora está em casa, de molho, mas já se preparando para apresentações no Espírito Santo e em Sergipe. Depois disso, já no primeiro dia de Setembro, já estará na Espanha rumando em seguida a Portugal. É a primeira vez que sai do Brasil, de mala, mas deixando a cuia cá na terrinha. Além disso, tem novo disco chegando ao que sobrou do mercado na próxima semana ou na outra.
Viva Anastácia!
O sanfoneiro Targino Gondim é outro que sai do Brasil pela primeira vez. Ele viajou ontem e hoje já tem apresentação em Angola. De novo estará conosco semana que vem. Targino é o coautor do sucesso Esperando na Janela, gravado por tudo quanto foi intérprete. Gil, inclusive. 
Mês passado, o canal Futura e a Tevê Caatinga levaram ao ar a série de quatro episódios intitulada Sou Forró. Apresentada por Targino, a série reuniu grandes nomes do nosso forró, entre os quais Genival Lacerda e Maciel Melo. Eu participei do último episódio falando sobre danças populares. Curtam:



TÉO AZEVEDO

O cantador mineiro Téo Azevedo só saiu do Brasil uma vez, hás muitos anos. Foi cantar e tocar em Portugal, onde identificou-se com as raízes populares. Em Setembro, acho que dia 19, ele não estará na Alemanha, mas na Alemanha será lançada uma produção musical sua em vinil, LP. Trata-se do primeiro de quatro discos de chorinho que ele acaba de produzir, todos com músicas suas, instrumentais. O primeiro eu já ouvi e gostei demais. Na verdade surpreendi-me deveras com o que ouvi. Téo é um danado. Ontem ele esteve conosco, trazendo à tiracolo o cantor, também mineiro, Toni Agreste e rapadura e uma boa cachaça. Viva Téo.

CHIQUINHA GONZAGA

A mais fértil compositora musical brasileira, Chiquinha Gonzaga (1847-1935), ainda não caiu de vez no esquecimento popular, felizmente. Chiquinha era para ser lembrada, tocada e aclamada todos os dias, inclusive nos templos de música erudita. A propósito, praticamente despercebida ocorreu a apresentação da peça Aprendiz de Maestro - O Forrobodó de Chiquinha, na Sala São Paulo, com renda destinada às Crianças e Adolescentes portadores do mal do câncer. Foi no último dia 1º. O espetáculo contou com a participação do grupo musical As Choronas.

VIDA E MORTE

A vida e a morte são eternos temas na cultura universal, em todas as línguas. São milhares os idiomas e dialetos falados nos quase 200 países catalogados pela Organização das Nações Unidas ONU. Temos certeza absoluta de uma coisa: que vamos morrer, e quem vai nos levar, a morte. Eterno, portanto, a penas a vida e a morte.

BRINCANDO COM A HISTÓRIA (36)



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